O 5G já é realidade para alguns dos brasileiros. Ao todo, 15 das 26 capitais brasileiras já possuem o sinal do 5G "puro" (ou standalone) em funcionamento e a cobertura tem sido expandida cada vez mais no território nacional. As operadoras Claro, TIM e Vivo são as grandes detentoras desta tecnologia no país que promete uma conexão com a internet pelo menos 20 vezes mais rápida que o 4G.

Mas e os pequenos provedores (ISPs)? Será que eles precisam se preocupar com a chegada do 5G no Brasil? O que fazer para continuarem competitivos no mercado? Para responder essas perguntas, o Oficina da Net entrevistou Fábio Moreira, diretor de marketing da Celeti, que possui mais de 20 anos de experiência na área de telecomunicações.

Como o 5G vai afetar os pequenos provedores de internet no Brasil?

Como a chegada do 5G no Brasil afetas os pequenos provedores de internet? (Reprodução: Pixabay)
Como a chegada do 5G no Brasil afetas os pequenos provedores de internet? (Reprodução: Pixabay)

Abaixo você confere os pontos altos da nossa entrevista com o especialista em telecom, Fábio Moreira.

Fábio, antes de mais nada, como você explica o que é o 5G?

Bom, de uma forma bem simples, o 5G nada mais é que uma tecnologia de telecomunicações que vai conseguir fornecer uma internet com muito mais banda, mas também um menor tempo de resposta. Essa tecnologia vai beneficiar diversos segmentos do mercado, como o de Internet das Coisas, mas também usuários específicos, como os gamers, que exigem uma conexão com a internet estável e com a menor latência possível para se manter competitivo em partidas online.

Fábio, na sua opinião, como o 5G vai afetar os pequenos provedores brasileiros?

Considerando que o 5G é de responsabilidade apenas das grandes operadoras, como Claro, TIM e Vivo, os pequenos provedores podem encarar o 5G como uma ameaça, se eles simplesmente não fizerem nada.

Mas é claro que essa ameaça não é imediata, pelo menos por duas razões. Primeiro, estamos falando da cobertura que ainda é muito trivial, que ainda requer muito investimento e uma grande estrutura para oferecer uma ampla cobertura. Não é à toa que até hoje muitos lugares não tem nem 4G, outros ainda tem, mas o 3G consegue ser muito melhor.

Assim, podemos dizer que o 5G ainda não é uma ameaça aos pequenos provedores, mas deve vir a ser, especialmente para os ISPs que não se mexerem agora. Por enquanto, o 5G se concentra em locais onde geram muita renda, exatamente onde os ISPs não estão localizados. Então ainda é cedo para apontar uma ameaça, mas isso deve acontecer naturalmente com o passar do tempo.

Uma segunda razão está envolvida com o custo do aparelho final que vai para a mão do cliente. Os celulares compatíveis com o 5G ainda são muito caros no Brasil, então isso deve dificultar o acesso para a grande maioria do público. O preço, ainda muito alto, é um impeditivo para a tecnologia se popularizar de um modo geral.


Qual será a amplitude da cobertura do 5G no Brasil?

A expectativa é de expansão, até porque a Anatel tem liberado as coisas para fluírem para esse propósito. Mas a gente sabe que existem uma série de desafios técnicos e econômicos que devem dificultar a implementação dessa rede. De qualquer forma, nós esperamos que a cobertura do 5G no Brasil seja, pelo menos, parecida com a do 4G. Essa é a nossa expectativa.

Então, o que os ISPs precisam fazer para se manterem competitivos?

Primeiro, os ISPs precisam se perceber como uma empresa de tecnologia. E como bem sabemos, toda empresa de tecnologia precisa se reinventar. Isso quer dizer que acreditar que tudo está bom, é um erro. Posso dizer isso por experiência própria, pois já trabalhei muitos anos como revendedor da Motorola, da Nokia e fui o maior importador de Blackberry do país. Em todos os casos, foram empresas que morreram por se sentiram em berço esplêndido.

Para evitar esse mesmo fim, os ISPs podem se reinventar, por colocar dentro do seu pacote de serviços, a cobertura do Wi-Fi 6. Essa tecnologia é a mesma interface aérea do 5G, ou seja, a mesma faixa de bits por faixa de espectro. A grande vantagem do Wi-Fi 6 é que ele não exige licenças. Além disso, seu custo é um centésimo do que custa o 5G e oferece uma experiência praticamente igual.

Outra saída para os ISPs é colocar serviços como o streaming de games dentro das suas aplicações. Isso inclui aumentar seu CDM (redes de conteúdo) e seu DataCenter (instalação física de equipamentos de suporte), para conseguir oferecer para o seu público alvo, que geralmente é classe C e D, a mesma experiência que as grandes operadoras oferecem para as classes mais altas.

O que os pequenos provedores já estão fazendo?

A Ibiúnet é um exemplo de pequeno provedor que está em expansão nessa corrida do 5G (Reprodução: Ibiúnet)
A Ibiúnet é um exemplo de pequeno provedor que está em expansão nessa corrida do 5G (Reprodução: Ibiúnet)

Será que os ISPs também enxergam a situação dessa forma? Para descobrir, falamos também com Robson Camargo, diretor da Ibiunet. A Ibiunet é um provedor de internet com sede em Ibiúna, São Paulo, com atuação também em Aparecida, Salto de Pirapora e Tapiraí.

Robson, o que os pequenos provedores estão fazendo para se manterem competitivos com a chegada do 5G no Brasil?

Para ser bem sincero, ainda é muito precoce falar sobre qualquer coisa que já tenha sido feita. Tudo ainda gira em torno de muita especulação. Mas o que pode ser feito é investir na tecnologia Wi-Fi 6. É a única forma de acompanhar essa alta demanda de velocidade.

Qual o lado negativo para os ISPs com a chegada do 5G?

Basicamente, o único ponto negativo ao meu ver é a baixa procura por redes Wi-Fi, e vou te explicar porquê. Acredito que, em algum momento, todo mundo já tenha enfrentado dificuldades para enviar uma mensagem quando o celular está conectado ao Wi-Fi. Para resolver, você desligou o Wi-Fi e usou o 4G da operadora. Isso significa que boa parte dos equipamentos que temos hoje para criar uma rede Wi-Fi em casa vão se tornar obsoletos, por não conseguir atender essa demanda de velocidade.

Então esse é o lado negativo. É preciso atualizar a qualidade dos equipamentos, mas é bem verdade que já temos muitos roteadores Wi-Fi 6 disponíveis no mercado. Apostando dessa forma, eu acredito que é possível competir com o 5G.

Conclusão

Os dois entrevistados concordaram que investir na rede Wi-Fi 6 é a melhor alternativa para os pequenos provedores continuarem se mantendo competitivos. Se você é dono ou representante de um ISP, saiba que é necessário investir em equipamentos que consigam oferecer uma experiência similar às grandes operadoras — Claro, TIM e Vivo — detentoras da rede 5G no Brasil.

Se você mora em uma região que não é atendida por essas operadoras e já é consumidor dos serviços de algum pequeno provedor, pode procurar saber como funcionam os planos com Wi-Fi 6 e sua disponibilidade. Embora ainda demore algum tempo para que o 5G realmente faça a diferença para a maior parte dos brasileiros, é importante manter-se atualizado e acompanhar o mercado tecnólogico.

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